Lembrar a Velha Infância…

Por Marcelo Lopes

 

Friends-best friend-friend picture-freinds wallpaper-friendship (2)Recentemente revi, falei, tive e tenho tido uma fantástica convivência com pessoas caras à minha vida, história e amizades, às quais não tinha contato há muito tempo. Graças aos meios virtuais que, para além de uma infinidade de caminhos e experimentações, boas e não tão boas, nos permitem, entre outras coisas, reencontrar amigos soltos por aí, no tempo e no espaço. É uma experiência forte, interessante e significativa.

Fenômenos como redes sociais, canais de vídeo, grupos de comunicação direta, trocas de e-mails e coisas afins tornaram experiências assim uma atualização de vida. Fotos de álbuns antigos, velhas anotações, roupas carinhosamente guardadas e bilhetes, que antes eram partilhados em encontros fugazes, em momentos tão somente físicos, se infiltraram pelo mundo virtual e se perdem na nuvem tecnológica, metafórica e conceitual do mundo moderno, tornando-se um outro espaço de convivência, uma outra dinâmica.

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Por isso, para falar dessas memórias, preciso deixar um pouco de lado o rigor acadêmico da discussão (muito embora, há dois anos não faça outra coisa além disso) para dizer que é justamente a memória da dona da bola de cada chute certo ou errado que damos pela vida.

Como é impossível trazer o passado de volta, a maneira pela qual esse tempo parcialmente nos retorna só é possível por meio das nossas lembranças, literalmente atualizadas pelo nosso olhar no presente. Isso explica porque alguns dos melhores filmes e músicas da nossa infância ou os melhores amigos, ou as melhores sensações, comidas e cenários não necessariamente têm o mesmo sabor de antes se vistos de agora. Isso não é ruim, só mais complexo: nesse mundo de possibilidades guardadas essas lembranças podem, também, serem melhores ainda. E cada componente a mais parece mais vívido se lembrado junto. Mesmo que, de fato, nunca tenha acontecido.

Se vivemos como nunca um ciclo dinâmico em que nossos registros do passado – em imagens, textos e sons e outros meios de lembrar – estão disponíveis a qualquer um pela internet ou em outros suportes que nos ajudam a rever o que já passou, o que fazemos desse passado é o que importa. Endeusa-lo ou depreciá-lo, muito embora essas duas opções sejam o mais comum a ocorrer, não são tão importantes como poder percebê-lo conscientemente pelo olhar do hoje.

Ainda que o gosto não seja o mesmo, a sensação de simultaneidade coletiva da experiência trocada com os seus contemporâneos, olhados todos hoje enquanto também olham o passado, refaz o caminho de cada um de forma única. E não há nada mais prazeroso que isso. Na verdade há, mas sexo não entrou na pauta.

Enfim, nessa hora, assim como viver feliz sozinho parece impossível, lembrar sozinho também parece cada dia mais sem graça e sem sentido.

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Estas são apenas reflexões soltas, dedicadas aos meus queridos amigos da Velha Infância, antes tão longe no tempo e espaço, e agora tão perto quanto é possível ser, a um toque de tela: Alany, Ana Carla, Aydil, Cristiano, Débora, Elisangela, Elvira, Fabiana, Helena Karine, Helisson, Josiane, Juliana, Kraina, Liane, Lidiane, Luciana, Luis Carlos, Marcinha, Marcos, Mariza, Meisa, Rassire,  Silvinha, Weruska. E a outros que ainda virão para mais perto, mas que ainda continuam ali, guardados na memória.

Marcelo Lopes
Sobre Marcelo Lopes 262 Artigos
Historiador, produtor cultural, escritor, artista gráfico e técnico-analista em projetos culturais.

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