O Audiovisual contra o Racismo

4 de dezembro de 2017

Por Entidades do Audiovisual Brasileiro

Nos últimos dias, fomos surpreendidos com imagens racistas na internet compartilhadas pelo servidor da Agência Nacional do Cinema e Audiovisual (Ancine), Luciano Trigo, e pelo presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Laerte Rimoli.

As peças foram amplamente compartilhadas nas redes sociais e tinham como objetivo desqualificar o combate à discriminação racial na figura da atriz Taís Araújo que, recentemente, fez considerações importantes sobre o racismo endêmico no Brasil, durante uma palestra no TEDx São Paulo.

Vemos nesta ação uma afronta aos discursos que buscam reverter este quadro de desigualdade. Mais ainda, de modo perigosamente naturalizado, se apresenta como uma ameaça às tentativas de reverter o racismo institucional presente nos mecanismos regulatórios voltados ao desenvolvimento do mercado audiovisual no país.

Devido uma ampla mobilização de profissionais, movimentos sociais, e diversos segmentos da classe artística, a ANCINE acaba de criar uma comissão voltada ao acolhimento e implementação de medidas voltadas à reversão das desigualdades de gênero e raça na produção. Um avanço importante como este se dá ao mesmo tempo em que manifestações racistas encontram eco em servidores da própria instituição.

Trigo está lotado na Superintendência de Desenvolvimento Econômico (SDE), responsável pela assessoria técnica do FSA, e isso inclui a formulação e posterior acompanhamento dos recursos nas linhas do PRODAV, PRODECINE, PROFINE e Cinema Mais Perto de Você. A sua presença chave no fomento é comprovável pelo seu atual mandato no Comitê de Investimento do FSA, além de ter participado da Comissão de Seleção do Programa Brasil de Todas as Telas em 2013.

Laerte Rimoli, por sua vez, que figura como diretor de uma empresa pública do porte e da importância da EBC, não deve, de maneira alguma, compactuar com quaisquer manifestações racistas, e seu comportamento não pode passar incólume. A uma empresa estatal, cuja matéria prima é a própria informação e a cultura ‐ com premissas de pluralidade, equidade e respeito aos diferentes povos e etnias que compõem o povo brasileiro ‐ não cabem posturas de tamanho desrespeito. Em tempos realmente democráticos, uma atitude como esta já o teria levado ao afastamento imediato de suas funções. Porém, neste período sombrio em que vivemos, os traços das mais diversas visões do retrocesso têm se perpetuado com uma naturalidade quase inacreditável em nosso cotidiano.

Mas isto não é cabível nem hoje nem qualquer outro momento. Por isso, fazemos coro ao Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e aos Trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que nos últimos dias divulgaram notas pedindo sua imediata exoneração.

Nossa manifestação é um claro posicionamento contra todo e qualquer ato de racismo, dentro e fora das instâncias representativas da cultura. Mais do que isso, este lamentável episódio coloca em foco, ainda mais, nosso olhar e cuidado em acompanhar de perto que perfil de profissionais atuam hoje na execução de políticas públicas, sobretudo àquelas pertinentes às ações afirmativas. E exigir deles a idoneidade e respeito que lhes são essenciais no exercício da função.

Exigimos portanto, o imediato afastamento do servidor Luciano Trigo de suas funções da ANCINE, e a exoneração do presidente da EBC, Laerte Rimoli.

SETOR AUDIOVISUAL UNIDO CONTRA O RACISMO E A FAVOR DAS AÇÕES AFIRMATIVAS.

Assine vc também a petição online!

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