UM PRESENTE E UM FUTURO A TEMER PELO BRASIL

25 de novembro de 2016

Por Marcelo Lopes

Concordo verdadeiramente quando dizem que o projeto político mais eficiente que já implantaram no país foi o PROJETO MANUTENÇÃO DOS PRIVILÉGIOS de poucos pelos processos de exclusão da maioria brasileira. Desde sempre.

imagem_cinema101_04

Excluem os direitos de quem trabalha; excluem as estruturas que permitem-nos desenvolver uma crítica social e política (educação, formação para a cidadania, regulação dos meios de comunicação); excluem mecanismos legais que freiam a sanha privada sobre o interesse público; excluem a voz popular, direcionando-a para representantes políticos que, em muitíssimos casos, agem por para manter-se acima da população, agindo em causas próprias; excluem da grande maioria o conhecimento da nossa própria história, fazendo acreditar nas versões maquiadas, fáceis e convenientes.

Esvaziando a percepção do quadro geral – transformando histórias de vida reais em microdramas desconectados da vida do país, e grandes crises sociopolíticas em tragicomédias pastelão – o povo segue acreditando que informar-se e manifestar-se apenas em redes sociais é suficiente para mudar os rumos do país. E que quando se manifesta nas ruas, movido por ondas de insatisfação pontualmente estimuladas pela mídia (impulso que, de uma hora para outra, desaparece), parece não haver qualquer importância além da simples manifestação, sem pensar efetivamente no que virá depois.

Assim, exacerba-se a direita (em cresce mais ultra do que nunca) e exaspera-se a esquerda (cada vez mais desarticulada das suas bases em argumentos, histórias e atos) e, nós, ali, assistindo a tudo, imóveis, atônitos, sem reação, plano de reação, ideias de futuro, sem alternativas concretas, com pouca ou nenhuma confiança na representação política.

cemiterio-das-ancoras_637783

Enquanto isso, nas câmaras e assembleias (não que fosse diferente no passado) o desfile de desmandos, acordos, achincalhes escancarados, comentários inacreditáveis se convertem em votos e leis em causa própria, limpam o próprio nome, fazem salários subirem estratosfericamente, enquanto a crise se dobra de acordo à maré e os nossos salários e direitos despencam. E nós, ali, assistindo a tudo, imóveis, atônitos, sem reação, como uma imensa plateia, que sorri nervosamente, entre um golpe e outro desferido por vilões e aqueles que se autointitulam mocinhos. Nos deixamos – espero sinceramente que não – à mercê de um dramalhão barroco sem graça, com um dos ingressos mais altos da história, onde cada um cumpre, obedientemente, o seu devido papel.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

REDES SOCIAIS