Cuíca de Santo Amaro

Release do Filme

prod-01-71074ff67e152dc55808ed28043bb604As filmagens de Cuíca de Santo Amaro foram realizadas entre abril de 2008 e janeiro de 2011 na cidade de Salvador e na região do Recôncavo da Bahia. A finalização estendeu-se durante todo o ano de 2011, envolvendo uma equipe técnica formada por reconhecidos profissionais do cinema brasileiro. Foram pesquisados os acervos da Fundação Pierre Verger, Biblioteca Mário de Andrade, Fundação Casa de Jorge Amado, Instituto Lina Bo Bardi, Academia de Letras da Bahia, Biblioteca Central dos Barris, Irdeb, entre outros.

O poeta mais temido da Bahia

Trovador maldito da poesia popular do Brasil, personagem controvertida, produz entre 1930 e 1963 cerca de mil títulos de livros de histórias, nome que dá aos folhetos que só depois passaram a ser conhecidos na Bahia como literatura de cordel.

Inspira Jorge Amado e Dias Gomes, que fazem de Cuíca personagem de quatro romances e da peça de teatro que, reapresentada pelo cinema, leva Anselmo Duarte a ganhar a Palma de Ouro em Cannes, com o filme “O Pagador de Promessas (1962). Na mesma época Cuíca de Santo Amaro faz a abertura do filme “A Grande Feira” (1961), de Roberto Pires.

Cuíca_de_Santo_Amaro (1)É o defensor do povo contra os marreteiros e também o diabo das encruzilhadas, dos mercados e das feiras livres, das festas e das frestas, personagem dos avessos e das margens, dos temas proibidos, picarescos, obscenos, malditos. Neste figurino ele aparece em Pastores da Noite e A morte e a morte de Quincas Berro D’Água e na peça O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, adaptada para o cinema por Anselmo Duarte.

Faz propaganda comercial em portas de lojas. É histrião e usa métodos não convencionais para a coleta de notícias que usa na confecção de versos.

Encarna personagem desabusada, que escreve, publica e vende nas ruas folhetos de protestos em plena II Guerra, reportando com humor a carestia da vida, demonizando Hitler, Mussolini e Plínio Salgado, elogiando Getúlio Vargas e Luís Carlos Prestes – apesar de posteriormente publicar folheto em favor da candidatura do camisa-verde e demonizar Prestes. Muitas performances fez ao lado de cartazes expostos nas ruas com frases e desenhos sobre os temas dos folhetos, ilustrados pelo amigo Sinézio Alves.

Em 1945 Jorge Amado o anuncia como “O Trovador da Bahia”. Em 46, a fama de Cuíca estende-se para todo o país, através da publicação de fotografias de Pierre Verger e de textos de Odorico Tavares e Jorge Amado na revista O Cruzeiro.

Durante duas décadas Cuíca de Santo Amaro atenta contra o pudor e brada contra a hipocrisia, revela em praça pública segredos de alcova e trapaças de ricos marreteiros. “Comigo não tem bronca”, garante. É a versão popular do boca de brasa, o Gregório de Mattos sem gramática. Poeta mais temido da Bahia é o defensor do povo, a voz do escândalo; porém sua poesia e atuação, às vezes, sabe também louvar poderosos, sobretudo quando se trata daquilo que chama de “matéria paga”. É um herói e um anti-herói. O arauto. Anunciador. Anjo torto, da boca torta, poeta livre. O maior comunicador que a Bahia já teve.

Marcelo Lopes
Sobre Marcelo Lopes 263 Artigos
Historiador, produtor cultural, escritor, artista gráfico e técnico-analista em projetos culturais.

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