Making of

Por Marcelo Lopes

O Projeto do documentário “Contra o Veneno Peçonhento do Cão Danado” entra em sua etapa crucial com as últimas gravações de depoimentos. Neste mês de março, serão realizadas ainda as gravações da etapa ficcional, pequenas ilustrações de algumas histórias relatadas, em parceria com a premiada Cia Operakata de Teatro. Estamos seguindo, portanto, #naestradacomodoc .

O incrível universo de cultura popular que envolve a memória sobre “causos” fantásticos sobre pessoas dotadas de poderes sobrenaturais (como transformar-se em toco, animais, invulnerabilidade a bala e facas) nos levou a bem mais longe do que prevíamos inicialmente. Foi impossível não ceder a essa tentação. Com o aporte do edital setorial do audiovisual 2012 da Fundação Cultural do Estado da Bahia, que tem como proponente a TVL Cinema e Vídeo, e o suporte de captação de recursos e parcerias articuladas pelo Instituto Mandacaru, o projeto se estendeu de 7  localidades anteriormente previstas para 21; de cerca de 20 e 25 entrevistados na etapa da pesquisa para 63; alcançou somente na primeira fase de contatos com os entrevistados mais de 60 horas de gravações em áudio; e pelas últimas contas, já passamos de 10.000 km rodados pela estradas da Bahia, desde o início das nossas atividades.

Fotos CVPCD 008

Pela multimodalidade de influências – sociais, religiosas, políticas, familiares, artísticas, místicas, históricas – nossa preocupação não é discutir a verdade das histórias colhidas. No máximo, a verdade no sentido que o filósofo Michel Foulcaut atribuía, como sendo tudo aquilo de conhecimento existente num dado temporal. O fato é que, por lidarmos com um universo tão vasto e de múltiplas implicações, não nos propomos a discutir religião, filosofia, história ou nos restringir a qualquer aspecto em especial. Ouvimos cada história como única e importante, com a paciência  necessária que viemos aprimorando muito especialmente nessa estrada. Os nosso contadores cotidianos de histórias, hoje deixados de lado pela ordem racional e inquieta dos  nossos dias, são o foco nas narrativas que resgatamos em meio a relatos de ludicidade e violência, religião e guerra, praticidade e mitos.

Para dar conta disso, nos cercamos daquilo que chamamos de “especialistas”, estudiosos, memorialistas, artistas como Saulo Laranjeira e escritores como João Ubaldo Ribeiro, para nos darem a visão de como estas histórias se relacionam com a imaginação. De outra sorte, no ativemos de forma bastante forte na tradição oral, na pessoas simples, onde estes causos ainda vivem.

O Documentário é fruto do projeto “Memórias da Cultura Popular”, do Instituto Mandacaru.

Fotos CVPCD 023

Acompanhem a produção:

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