Sabedoria popular e oralidade

4 de outubro de 2013

Por Marcelo Lopes

 Dona Leonora, matriarca em Veredinha

 Cada dia mais me surpreendo com o quão profundo é o nosso sertão. Há muito do que ainda resiste na tradição oral por aí afora. Mas não é difícil perceber a sensação do esvaziamento, do esvair-se que acompanha as falas que registramos na pesquisa. São depoimentos saudosistas, retido na visão do que se perde de forma inexorável com o passar do tempo. Mais ainda, residem na sensação de que pouquíssimo é o interesse das gerações de agora, alheia a estes saberes, sem a empatia necessária a dar prosseguimento ao legado.

Como tão bem dimensiona o poeta e menestrel deste sertão profundo, Elomar Figueira, quando fala dos dilemas das resistências destes saberes no meio da dinâmica moderna: “existe o sertão físico, que está no passado, que é completamente deformado no dialeto, ‘estiorado’ culturalmente, face à invasão da polis, da urbe. Os valores urbanos começaram a chegar no sertão e corromper, deteriorar essa cultura primitiva que o sertanejo tinha, que está se acabando, isso via meios de comunicação, sobretudo as antenas de televisão.

20130921_144441Rodando Vitória da Conquista (sobretudo as zonas rurais) e percorrendo o imaginário de cidade de menor porte como Planalto, Belo Campo e outras localidades regionais ainda é possível ouvir histórias de lobisomens, da mulher de branco, do bicho de Pedra Azul, de homens e mulheres invultadas e outras latumias. A riqueza do encontro e desencontros destes “causos” valem cada momento de boa conversa, de cafezinho quente (às vezes bastante doce), biscoitos e cheiros de farinha. O universo do encantado ainda resiste apesar das parabólicas.

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