Scambo e o legítimo rock popular brasileiro

Por Marcelo Lopes

 

Tem energias que estão além do óbvio. Compõem-se de matéria imprecisa, não conformada, e são tão facilmente acessíveis que, na sua unidade, nos ganham justamente por dialogar diretamente com todos os sentidos. Esta é, por muitas razões, a natureza do campo sensível da arte. Seja na pintura que instiga, na dança que atrai os corpos, na poesia que dá outro formato ao mundo, na música que liberta. E a música é, aqui, a nossa pauta.

scambo_02Filiado ao rock como sou e sempre fui – sem nunca perder a ternura das outras músicas que valem o encontro com a alma – é gosto de gás que trago para série Vitamina Mp3 o texto de apresentação da banda soteropolitana Scambo.

Criada em 2000, a banda se filia a algumas das referências mais sólidas da música brasileira para compor em letras densas e sofisticadas o melhor do rock brasileiro, segundo a definição do próprio grupo: “inspirados pela mansidão inquietante de Chico Buarque, pela diversidade de Gilberto Gil e a autenticidade de Gonzaguinha e outras tantas vertentes, a Scambo soa a Brasil. Rock Popular Brasileiro. Reflete em letras, ritmos e ações a moda inquisidora dos grandes centros urbanos em contraste com a vida pessoal que busca, indaga e pode se realizar”.

Scambo+Sem+ttulo+3Para além do particular arranjo de “Geni e o Zepelin”, de Chico Buarque, e do emblemático “Carcará”, de João do Vale, a banda traz no repertório letras e músicas autorais que fazem sentir sua inquietação num estilo marcante, sem com isso nos fazer deixar de pensar na força poética das composições com doses de irreverência e vivacidade na voz de Pedro Pondé, nas guitarras de Alexandre Tosto e Graco Vieira (que também faz voz), na bateria de Ricardo Machado e no baixo e voz de Thiago Ribeiro.

Scambo é dessas bandas que, não devendo nada a tantas outras que se apresentam em mega-shows pelo país, a gente se pergunta por que ainda não estourou nacionalmente. Hits como “Sol de Ninguém” e Ocê e Eu”, e músicas mais recentes do CD “Flare”, como “Feliz” dão conta de uma suavidade mesclada em altas doses do melhor do rock n’ roll, na medida exata entre o conteúdo e o som.

Confira o som de “Eu Leio” e diga se estou errado.

Marcelo Lopes
Sobre Marcelo Lopes 263 Artigos
Historiador, produtor cultural, escritor, artista gráfico e técnico-analista em projetos culturais.

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